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Evento no TCE-RS aborda racismos e antirracismos


Publish Date: 26-NOV-2019 01:32 PM
Foto Noticia Na tarde desta segunda-feira (25), o Tribunal de Contas do Estado (TCE-RS), através de sua Escola Superior de Gestão e Controle Francisco Juruena (ESGC), realizou o evento Racismos e Antirracismos: do outro lado das fronteiras, cujo objetivo foi reunir estudiosos para debater o racismo no Brasil e incluir o TCE-RS em uma agenda antirracista, reafirmando o compromisso da Corte de assegurar os direitos fundamentais.

A abertura do evento foi realizada pelo vice-presidente do TCE-RS, conselheiro Estilac Xavier, eleito presidente do Órgão de Controle para o ano de 2020. Em sua fala, ele destacou como o racismo está arraigado em nossa cultura, inclusive nos espaços públicos. “Ninguém deve sofrer por sua cor, orientação sexual, religião ou escolhas políticas”, reforçou o conselheiro.

A temática principal do evento foi o racismo científico, que invisibiliza pensadores e teóricos não brancos. Pâmela Marconatto Marques, professora do curso de Relações Internacionais da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), trouxe como exemplo um estudo da obra de Joseph-Anténor Firmin, antropólogo e advogado haitiano. Entre seus muitos trabalhos fundamentais para a Antropologia, estão a publicação do livro “A igualdade das raças humanas”, em resposta à obra racista de Arthur de Gobineau, e a fundação de uma revista que defendia a educação pública como direito fundamental.

Já a doutoranda em Sociologia da UFRGS Carolina de Oliveira e Silva Cyrino abordou a temática no contexto brasileiro, apresentando sua tese, sob o título “Sob o olhar do outro: o experimento do racismo científico nas missões brasileiras de instruir e sanear populações tradicionais”. Ela falou sobre teóricos brasileiros que, após a Lei Áurea, continuaram a se referir aos negros como inferiores e até mesmo não humanos, defendendo sua segregação e a eugenia da população.

Em seguida, a imigrante haitiana e mestranda em Sociologia pela UFRGS, Rebecca Bernard, relatou a vida em Porto Alegre. Bernard contou sobre sua chegada ao Brasil, em 2013, afirmando que a recepção dos refugiados em nosso país nem sempre é calorosa e a maioria encontra vários obstáculos. O preconceito, principalmente o racismo e a xenofobia, se coloca como o principal deles. “A xenofobia somente tem cura quando os portadores dessa doença percebem que estão doentes e querem uma cura. Sempre haverá imigrantes enquanto as guerras, a fome e os desastres naturais existirem”, disse a mestranda.

Encerrando o evento, Letícia Marques Padilha, membra da Comissão da Verdade sobre a Escravidão Negra (CVEN) da OAB/RS, explicou sobre o funcionamento da CVEN e sobre os principais projetos realizados: um fórum virtual que colhe recomendações da sociedade nas áreas de saúde, educação, trabalho, mídia, justiça, entre outros; e um relatório, que será lançado no final de 2020, com relatos de pessoas negras sobre suas trajetórias, artigos científicos antirracistas e ações jurídicas de ações reparatórias. Do fórum virtual, foram escolhidas as 130 propostas mais relevantes – como as cotas para professores negros nas universidades – que já estão sendo trabalhadas pela Comissão.

O evento Racismos e Antirracismos: do outro lado das fronteiras foi idealizado pelo Grupo de Estudos de Inclusão Social (GEIS), do TCE-RS, e teve mediação da auditora pública externa Eliane Marques. Também participaram do evento diretores, supervisores e servidores da Instituição.


Audiodescrição: A imagem mostra o auditório Romildo Bolzan, com foco no palco, onde estão as quatro palestrantes do evento e a mediadora. Elas estão sentadas em poltronas pretas, atrás de uma mesa retangular de madeira, forrada por painéis brancos. Na parede que fica ao fundo, logo atrás da mesa, há uma tela de projeção, que mostra o nome do evento, a data e o local. À esquerda da imagem, de pé atrás de um púlpito de madeira, está o conselheiro Estilac Xavier, que realiza a fala de abertura. Em primeiro plano na imagem, está a plateia do evento, de costas. As paredes do ambiente são pintadas de branco (fim da descrição).


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